quinta-feira, 12 de julho de 2007

Hate...


"I hate the way you talk to me, and the way you cut your hair. I hate the way you drive my car,i hate it when you stare. I hate your big dumb combat boots, and the way you read my mind. I hate you so much it makes me sick, it even makes me rhyme. I hate the way you are always right. I hate it when you lie. I hate the way you make me laugh, even worse when you make me cry. I hate it when you are not around, and the fact that you didn't call. But mostly I hate the way i don't hate you, not even close, not even at all..."

quinta-feira, 31 de maio de 2007

...


Faço para me perder por entre mundos, por entre tempos que a outros pertencem. Não quero saber se me perco, se afasto definitivamente a hipótese de me encontrar, não interessa. Não interessa mesmo. Adoro a sensação de controlo que me invade o corpo, o de saber que se me perder cada vez mais posso fazer o que me vier á cabeça, como sempre quis que acontecesse. Liberdade, por fim a liberdade. Faço-me voar quando era suposto caminhar, caio quando me devia levantar, e levanto-me quando me fazem cair. Rio para chorar de seguida com a mesma intensidade louca com que os meus lábios se rendiam ao riso. Liberdade enquanto perdido, perdido enquanto gozo liberdade. Gosto disso.

Perco-me nas minhas memórias, em tudo o que vivi. Vejo cada momento que quis guardar para sempre, aqueles mais simples, os verdadeiramente especiais, vejo como vivi o mundo como se não existisse amanhã. Como o fazia, julgando o amanhã demasiado incrivel para acontecer, como sendo fruto da imaginação de criança ingénua, rendida aos seus mirabolantes pensamentos. Talvez fosse eu. Talvez fosse eu essa criança que se encantava com as coisas mais simples da vida, que achava piada ao dormir de outra pessoa, que acordava e passava o dia sonhar, talvez fosse eu a criança que se derretia ao ver-te dormir, que te disse baixinho ao ouvido "Amo-te" sabendo que não ouvias porque dormias. Talvez fosse eu a criança ingénua, a mesma que hoje espera para ser adulta, para deixar para trás os passos da ingenuidade, a que me fez acreditar, a que me fez querer.

De repente, deixo de me perder, páro no tempo passado, num momento exacto. De entre todos, aquele que eunão queria recordar nem sentir de novo. Fecho os olhos, encho os ouvidos de barulhos estranhos, encho o pensamento de porcarias sem jeito nenhum. Espero que se vá embora depressa, penso eu...consciente de que ele não irá sem se fazer ouvir, sem se mostrar nem que seja uma última vez. Deixo que o tempo passe, que gire o mundo, que gire o solto em torno da terra, que se faça terra do mar, e água do oceano. Viro o mundo de pernas para o ar, altero o sentido lógico das coisas e nada, o tempo não leva o raio do momento, sei que ele ainda ali está á minha frente.

Abro os olhos e ali está ele. E sei que espera por mim. Parece que sorri, cinicamente, sabendo que não tenho outro caminho por onde ir, a não ser na sua direccção..................................................

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-Diz-me uma coisa?

-O quê, que queres saber?

-Amas-me?

-Sim, que sim.

-Quanto?

-Que nem te passa...


Após isto fui obrigado a parar o carro, beijaste-me. Há coisas que não se que não se esquecem, este momento, eterno, o mais verdadeiro que já vivi, o qual usaria para resumir a minha vida.


Odeio o que senti depois de lembrar isto, a ternura que me invadiu pa substituir talvez desilusão, talvez raiva talvez ódio, de certeza amor. Deixo-me perder mais, muito mais. Até sentir que seja o suficiente, até sentir que o mundo finalmente me chega. Até ver que há mais para lá da desilusão...talvez até que haja...vida!!


segunda-feira, 16 de abril de 2007

Morreu...


A noticia corre depressa. Tal como corre vento, como cai chuva, como passa tempo. Ela corre. Corre demasiado depressa para quem não suporta a ideia da sua existência, de ter que a ouvir chegar...nos seus passos cinicos. Desta vez também correu.


- Sabes uma coisa?

- O quê?

- Olha ele morreu,esta noite...Teve um acidente de carro e morreu.

- Foda-se!!! Tás a gozar? (Como se alguém fosse gozar...)

- Não!


Negação seca! É realidade, a morte chegou de tão imprevisivel que é a vida. Chegou, parou e levou. Levou vida, juventude, levou tudo o que podia levar. Deixou um corpo apenas. Vazio de vida, de sorrisos, de lágrimas. Deixou um corpo cheio de nada. Carrega de tristeza vidas de um momento para o outro. Não pergunta se pode, se deve...Carrega apenas. E no mesmo jeito cinico com que chegou, no mesmo modo parte.


Lido muito mal com a morte, odeio não perceber as coisas, não entender porquês. A morte é isso mesmo, é um porque sim. Não tem justificação, é e pronto. É por isso que a odeio, por não conseguir entender esse porque sim. De um momento leva assim alguém...Ainda nem dezoito anos tinha...PORQUÊ??



PORQUE SIM...

quarta-feira, 11 de abril de 2007


-Amas-me?


-Que é isso de amar?


-Não sei. Interessa?


- Não. Nós interessamos...


- Diz que me amas


-Acordo contigo a meu lado,

mesmo sem lá estares.

São horas a olhar para ti,

enquanto dormes,

quando te passeias diante de mim,

quando te despes,

quando te vestes.


-Só isso?


-Que queres mais?


-Que me ames...apenas amar.


-Mas eu amo...que nem te passa.

Deixei que me prendesses.

Esse olhar,

essa forma de agir.

Cativas-me quando me tocas sabes?

Penso em ti...por vezes, demasiado,

mas que interessa isso?

Nada...eu tu o mundo.

Limiar de perfeição.


-Gosto do que dizes.


-Gosto que me faças perder no teu amor.


-Perde-te mais por favor...


-Não me peças isso,

não me peças o que eu quero fazer.


-Vais amar-me sempre?


-Não sei...amar-te-ei a eternidade de cada momento.

De cada momento em que estivermos juntos.

Porque não sei o que é o amor.

Não sei porque se chama assim.

Deixa-me estar apenas...consome-me.

Que eu amo-te.

Não tenho medo como tinha,

porque afinal, tudo não passa de amor.





sexta-feira, 23 de março de 2007

Para ti.

Silêncio. Durante meses, dias, horas...apenas silêncio. Não sei quantificar o tempo, parece-me estúpido quantificar algo que não acaba, que não pára, que se mostra impiedoso mesmo quando desejei que ele andasse davagarinho, assim quando estava junto de ti. Desejei que ele andasse devagar, melhor que parasse de vez. Não me obedeceu. Serviu para nos afastar, impôs silêncio entre nós, como forma ingénua de algo que não sei explicar, mas que se foi alastrando ao que nós fomos como que uma doença. Foi doença amar-te, porque sim, "o amor é uma doença onde nele, julgamos ver a nossa cura". Fui doente, sei que amei. Sei que senti cada palavra que disse, cada momento. Únicos contigo. E depois o silêncio. Durante esse tempo nada, ou melhor, pouco para o que fomos, demais para o que te fiz. E no preciso momento em que agarro o telemóvel, no momento em que o coloco na mão, ele vibra. Tive a mesma impressão que tive quando te vi pela segunda vez, quando não havia silêncio. Aquela impressão no estômago que tenho sempre que estou nervoso ou ansioso. Nesse momento soube logo que eras tu. Sem olhar sequer para o telemóvel senti logo que eras tu. Corri para o telefone de casa. Parecia que o mundo ia acabar naquele instante não sei. Precisava de te ouvir. Após tanto tempo, tanta coisa precisava de te ouvir falar, e acima de tudo de te ouvir sorrir. Ficas tão meiguinha...nem te passa.
Deitei.me no sofá. O mesmo tempo que nos afastou, que nos calou e pôs praticamente em silêncio um para o outro, agora traz-te até mim sobe a forma de recordação. Sei que é isso que tu és, que provavelmente não dás á recordação que tens de mim nem um décimo da que eu dou á tu. Não me interessa. Gosto de ser assim, de impor ternura a tudo o que me marcou e foi especial, verdadeiramente especial....como tu. Por momentos vejo as horas ao telefone, o teu sorriso, os teus lábios, a carinha que fazes quando queres muito alguma coisa, vejo tudo, quase te toco de novo, quase falo contigo sem esperar que respondas. Quase te tornas realidade. Talvez não devesse ser assim, de dar tanta importância ao que já foi, ao que fomos. Talvez, mas não interessa. Deve ser do tempo

sexta-feira, 16 de março de 2007

Abertos ou Fechados?

Fecho os olhos. Não quero ver o que se passa á minha volta, quero isolar-me, ter um mundo só meu, que se curve perante a minha vontade, onde seja real aquilo que desejo, onde aquilo que dói pura e simplesmente desapareça como se fosse simples fumo. Não existe mundo assim, mas mantenho-me de olhos fechados sem nada ver. Sinto-me bem, não vejo o que não quero ver, e e imagino o que amava conseguir observar.
Perco-me por instantes em imagens distorcidas que vejo de olhos fechados, fazem-me rir para depois me fazer chorar, para me levar à loucura por não as ter como realidade presente e sentida. Da alegria ao choro existe apenas um passo. Simples para quem acredita no que diz e no que sente. Eu sinto o que digo. Gostava de sentir o que dizem como sinto o que digo. Entender porquês, entender-te a ti para por fim, me entender a mim. Não sei como me deixei levar até este ponto, como deixei de ter medo de sentir, de me agarrar a algo. Sempre tive medo de sentir, achava muito mais simples ignorar que isso acontecia. Contigo foi diferente, não tive medo. Quis sentir, amei sentir. Para quê? Porquê? Não entendo, jamais o farei, mas se sentir dá nisto, porque me foi acontecer a mim, e logo contigo? E agora passo, não olho...mas aquela sensação de amor no estômago continua aqui? Será que sentes o mesmo? Eu sinto cada vez que desvio o olhar, cada vez que ignoro e te acredito como sendo nada. Mesmo sabendo que não estás, sinto a tua presença de cada vez que me deixo levar por outra pessoa, a cada beijo, a cada toque, a cada gemido. Sinto que me observas, que te dói que seja egoista, que cague para tudo o que finjo não sentir. Não interessa, no egoismo me encontro, e nele me perco. Gosto de ser egoista, aliás estou a adorar sê-lo desta vez.
Gosto de como esta ausência de sentimentos exponência as diferentes maneiras de sentir, de como as torna num oceano de caminhos cruzados que acabam todos no mesmo destino,ao teu esquecimento. Pergunto-me se te quero esquecer, se quero manter esta forma de rancor que tenho em mim...odeia-te parte de mim...como é próximo o amor do ódio. Não serão a mesma coisa? Não será o ódio forma retraida de amor, não será o ódio não querer ver o amor que se tem? Não interessa, não interessa mesmo. Perco-me em pensamentos assim, odeio-me quando penso em vingança, quando quero dar-te importância que mereces deixar de ter.
Abro os olhos. O tempo passa depressa quando os mantemos fechados, quando não queremos ver. Assim se perdem segundos, se perdem momentos...especiais. Parece-me bastante igual o mundo agora que abri os olhos, agora que o vejo real como ele é. Não te vejo a ti. Será que em algum momento foste verdadeira? Que por instantes deixaste de ser miragem para ser corpo de carne e osso, para ser pessoa, dessas que se amam por aí. Terá sido real o teu cheiro, a tua pele suave, esse teu corpo? Talvez. Não interessa agora que torno egoismo em droga, que me consumo por ele. Penso em mim, penso no mundo e não existes, continuas a não existir. Existe a sensação de amor no estômago, a tua presença no meu pensamento quando me deixo levar.
Vida de olho fechados ou de olhos abertos? Sentir ou fingir não sentir? Não sei. Viver apenas. Na vida me encontro, na vida me perco. Adoro estar perdido, não saber por onde ir, por onde ando. Gosto de saber que a vida é o que se sonha, é o que se sente, a questão é se devemos vivê-la como a sentimos, ou fazer como fizeste, não querer ver. Pior do que não poder ver, é não querer ver. Eu quero ver, quero ser egoista, quero o mundo para mim, só para mim. Eu, conjunto infinito de possibilidades, de sentimentos...acima de tudo Eu.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Malicioso sorriso

Fartei-me de avisar. Eu não sabia nadar, e tu tinhas a mania que sabias tudo...talvez rendida a uma estranha forma de egoismo...quem sabe. Não sabia nadar, e mesmo assim ignoraste, deixaste que eu próprio me entregasse a um afogamento continuo, a que me deixasse ficar sem ar lentamente, a que o mundo passasse por mim sem que eu notasse, a que o tempo passasse a velocidade alucinante, ainda que eu achasse que passava demasiado lento, que assim nunca mais atingiria o esquecimento total, nem tão pouco me chegaria a afogar.
Elevaste os meus medos como eu não nunca julguei ser possivel. Sim tive medo, tive medo de estar sozinho, tive medo de andar sozinho, tive medo de chorar mais, tive medo de ouvir a chuva, medo de a ouvir cair enquanto passava mais uma noite inteira sem dormir. Desta vez, tive mesmo medo. Ainda assim, fiz o que faria qualquer pessoa que sinta as palavras que lhe saem da boca. Eu lutei. Lutei pelo que fomos, por tudo o que de especial existia entre nós, e eu odeio lutar, e por ti fi-lo sempre. Vi nessa luta espécie de bóia de salvação, forma de atrasar o tempo, para não me afogar enquanto não queria que isso acontecesse, enquanto fazia sentido tatuar no mundo que te amava, que aguentaria dez vezes mais do que o aguentei por ti, contigo a meu lado sem nunca me queixar, enquanto queria estar ali para ti, sempre. Fugi uma vez, não o faria de novo. Enquanto lutei, não me quis afogar, não te quis julgar como nada, não quis que fosses nada, e muito menos acreditar que não existias. Sorrio maliciosamente enquanto escrevo, hoje és nada...e eu acabei por não me afogar.
Talvez seja a última vez que escreva e pense em ti, esta deverá ser a última "última vez" comuns a nós, e sinceramente já nem quero saber, cansei de lamúrias, de gritos, de sentir o teu egoismo. Não se nasce após os tais nove meses, eu nasci muito depois, a minha vida começa agora, começa agora o mar de possibilidades, de caminhos diferentes, que eu próprio escolhi, caminhos que planeio percorrer um por um, menos o teu, esse apaguei facilmente com borracha de apagar, de tão ténue que estava escrito. Gosto da vida, gosto de lhe sentir a imprevisibilade de acontecimentos, de saber que tudo pode acabar amanhã, de ver que nada é estático, que se mudam prazeres, sentidos...tudo. Gosto a vida assim.
Volto para trás novamente, até quando me afogava. Sim, deixei-me afogar, rebentei com a bóia que me mantinha a respirar no preciso momento em que quis deixar de lutar. Ainda bem que o fiz. Precisava de mim outra vez, de me deixar estar sozinho, sem pensar em nada ou ninguèm, de ignorar que o tempo passa, de que o mundo vive mesmo que eu apenas me deixe sobreviver. Foi assim que me quis uns temps, a sobreviver. Só assim encontraria apaz que precisa rapidamente em mim. E encontrei. Por fim tenho a calma a meu lado, em minha volta, e ela não foge...a não ser em raros momentos de solidão, atrapalhados por um passado que desejo com todas as forças que não tenha existido. Espero que tudo não tenha passado de um sonho mau, e esses esquecem-se...os bons não, vivem-se, recordam-se. Tu és esquecimento.
Eu quase que me afoguei na minha própria vida, não sabia nadar, não sabia estar sem ti. Não me afoguei, e na verdade, eu fiquei por cima...fico sempre. (Game Over)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Por palavras, por fim, a despedida...

Sinto-me só. Tenho vontade de chorar, sei que tenho. Não consigo. Talvez seja a presença desta solidão que não me deixa. Esta solidão que finalmente me alcançou, como marca de realidade que odeio e que não queria estar a viver, mas que me vejo obrigado a aceitar...e a realidade é que te perdi, ou que tu me perdeste, ainda não sei qual destas duas é a mais correcta, se é que existe alguma, por assim dizer, correcta. Só sei que não existimos!
Hoje não aguentei. Sentia-me a mais no meio de amigos e conhecidos...pessoas, que passam, mas que não ficam como só tu foste capaz de ficar. Tive que sair, sentir-me ainda mais sozinho. Vim à praia, àquela onde tantas vezes estivemos juntos, quando estávamos juntos. Nunca a areia dela me pareceu tão acolhedora como me parece hoje...sinto-a nos pés, por todo o corpo. Sinto-a como ténue forma de consolo a quem não se conhece, mas a quem se nota a perda de alguém. Ouço o mar de uma maneira que nunca tinha ouvido antes, parece que me está a dizer algo. Algo, que não entendo, dito em lingua de mar. Não lhe entendo as palavras, mas alegram-me de algum modo. Alegra-me ele estar ali simplesmente, beijando a areia continuamente, dizendo-lhe o quanto precisa dela, o quanto gosta dela, a cada vez que a toca ao seu jeito molhado sem lhe pedir licença. Também fui mar, fui água em corpo sólido. Também te acariciei, mimei sem pedir licença...sabia que o querias. Não o deixei de ser. Continuo mar...de angústias e confusões. Não sei o que fazer, não sei mesmo. Não eras simplesmente parte da minha vida, eras um pedaço de mim. Algo que agora me falta, e que vai sendo ocupado por esta sensação de solidão e tristeza que se apoderam de mim, sem que tenha forças para as combater.
Disseram-me que não gostava de lutar. Quem gosta?? Lutei demasiado em todo o NÓS que tivemos, lutei por dois muitas das vezes. Desgastei-me, perdi forças, e hoje, baixo a cabeça...sem a conseguir erguer novamente. Não lutarei de novo por ti, já chega. Entrego-me a palavras de desabafos que nunca irás ler,deixaste de me saber ler...
O tempo também passa aqui na praia, e eu continuo sem conseguir chorar...sinto cada vez a mais a tua falta. Como que por vontade própria, as lágrimas teimam em não cair...só queria saber chorar. Não sei porque se tem de chorar nestas alturas em vez de rirmos, não sei, mas ao menos hoje, gostava de ser também normal e chorar por fim.
Sinto a tua presença esfumar-se de mim, és cada vez mais memória de tempo passado. Espero um dia não querer destruir essa memória, a tua memória. Precisava de me afastar de tudo. Abandonar por momentos este momento que odeio, este mundo tão estranho sem ti. Queria voar agora, de sentir o vento passar pelo meu corpo, deixar que ele levasse as minhas memórias para longe por segundos. Sentir-me em liberdade momentaneamente. Queria ficar a ver o mundo lá de cima do céu, ver-lhe a noite e depois o dia, ver todo o seu tempo. Não sei, gostava. Gostava de ver como o tempo passa, como rouba o dia a noite, ver como não sei o quê te roubou de mim. Desejo asas para voar, podem ser as mesmas que usaste para sair de mim...como me soam a tolas estas palavras...
O tempo passa, e eu baixo ainda mais a cabeça. Julgo-me a sufocar, a perder fôlego para a vida. O amor torna-nos estúpidos quando amamos quem já não existe para ser amado por nós. A tua ausência roça o insuportável aqui na praia.Dói!!! Parece que vai durar mais tempo do que aquele que me resta. Já não sei o que escrevo, pareço adolescente em crise traumática, não quero saber, é o que sinto. Sinto cada letra que escrevi sem lhe tirar uam virgula sequer.
Levanto, a custo, lentamente a cabeça. Pesa-me a tua ausência, mas levanto-a e respiro novamente. Vejo o mar, vejo a areia, não me abandonaram. Sorrio por isso. Com o ded escrevo na areia a minha despedida de ti, a única possivel. Escrevo devagar, não me quero enganar. Escrevo "Amo-te !" na areia, viro costas a tudo, e caminho para sair da praia. Sei que o mar, agora em silêncio, apagará essas palavras da areia e as levará com ele. Não as tornarei a dizer, naquela areia te escrevi, de ti me despedi. Deixei-te lá, o mar levar-te-á, tal como eu te tirarei de mim. Já não ouço o mar,não vejo a areia...acompanham-me o seu silêncio, sua ausência que sei que me reconfortam. Sei que estarão lá para mim. O marapagou o que escrevi, sei disso. Também te irei apagar de mim...por fim, choro. Sinto-me feliz por isso.
De lágrimas a memória te tornarás!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

No Cadeirão

Sento-me no cadeirão que nos serviu de mundo, de refúgio...talvez até de limiar de perfeição. Parecia-me confortável.Agora sem ti, vejo que até é bem mais duro do que o que me parecia antigamente.Deixo-me sentado mesmo assim...faz-me sentir perto de ti este cadeirão, como se desse vida às tuas memórias, aos nossos momentos que teimo em conservar em mim. Fecho os olhos, e mor momentos de loucura, julgo sentir o teu corpo nú, serpenteando o meu...julgo ouvir a tua respiração,como se de uma música se tratasse. Música que por dias, por momentos intermináveis, por instantes sem conta, me decidi a não deixar de ouvir...Abro os olho como que a acordar de pesadelo, e fico uns instantes a misturar realidade com fantasia, tu com sonhos, o hoje com o amanhã, a tentar parar o tempo, a ver se percebo o que acabou de acontecer...sinto o teu cheiro na minha pela, a tua respiração ainda faz eco em cada centimetro do meu corpo, como se de uma tortura se tratasse. Não, momento delicioso que eu julguei real, fantasia, pura fantasia...mas parecia tão verdadeira, o teu cheiro, o som trémulo da tua respiração. Que raio de droga esta? Faz-me sentir-te quando sonho acordado, levita-me o corpo para pesadelos que me torturam a cada segundo, onde te encontro, de onde acabo por não querer sair. Engraçado isto, penso eu. Acendo um cigarro, e deixo-me estar, sentado no cadeirão, a ver o tempo passar. Delicio-me com o ritmo doido do mundo, com as correrias loucas de pessoas que passam por mim, que me chutam o cadeirão sem pedir desculpa, que correm sem saber que deviam era sonhar, que não dão ao tempo o tempo que também ele precisa para também ele correr devagar, e não contra si próprio, como se tudo isto não passasse de uma corrida, em que no fim nada nos espera, não há prémio, não há pódio, acaba simplesmente. Dá-me vontade de rir, que tontas que sãoestas pessoas. Correm, tropeçam em mim gritando palavrões que prefiro não entender sequer, que se esquecem de dar tempo ao tempo, de dar tempo a elas mesmas...para por fim, viver. Sinto-me com poder, deve ser do cadeirão, ele faz-me viver, faz-me apreciar cada segundo do tempo que corre sempre contra nós sem que nos apercebamos disso. Pessoas e mais pessoas, correrias loucas, rotina, discussões, e tudo isso me passa ao lado, não fossem os encontrões no cadeirão onde te julgo sentada comigo e acreditava que era mera sombra ou fantasma a que ninguém reparava. Ainda assim, faltas-me tu. Não sei se valerás a pena a louca corrida neste mundo do qual gosto de fugir, de pensar que não lhe pertenço.
Afinal, até ti, basta-me fechar os olhos e ter esperança em mais um sonho quete traga até mim, e sinto-te, sinto o teu corpo quente, sinto os teus lábios nos meus. És tu quem perdes por sair deste cadeirão, não eu. Tenho o mundo a meus pés, e ele nem desconfia disso, só quando o faço rodar ao contrário. A minha vontade, crua realidade. Diverte-me isto. Sei que me faz sentir sozinho, que me torna egoista por não correr por ti, mas não se vive a correr, antes sim, despacha-se a vida. Não sou o único a ver isso, vejo agora mais cadeirões ocupados por deconhecidos, que se decidiram, finalmente,a dar tempo a eles mesmos. Num vejo-te a ti. Não feches os olhos, não chegarei até ti, foste tu que me perdeste, não vou deixar que em encontres, não te esqueças, o mundo a meus pés.
Adormeço com um sorriso delicioso nos lábios na certezade que não me encontrarás outra vez, a menos que eu queira. Deixo cair o cigarro enquanto adormeço...a sua cinza é levada pelas correriasdas pessoas...e chega até ti por fim. Assim comose fosse uma mensagem...procura-me diz ela...enquanto eu te chego nesse sono que tomas tranquilamente...o meu cheiro...a minha respiração...e a cinza no chão com a palavra procura-me escrita em lingua que só tu sabes ler...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Faz 1+1=1...

Agarro a garrafa que um dia partilhámos.Agora...nada, vazia. Antes cheia, por nós. E agora, por agora, para sempre, vazia...não a suporto assim. Escrevo o teu nome em pedaço de papel, escrevo-o consciente de que é a última vez que o faço desta maneira, tão sentida, por pouco...poética.
Na garrafa, meto esse papel que transporta o teu nome, palavras que escrevi consciente da solidão e saudade em que agora me vejo. Lanço-a ao mar, e vejoa-a flutuar, embalada por oondas que crio ao sabor da tua memória. Só assim te posso embalar agora. Acabaram-se os momentos, em que a teu pedido te embalava docemente com miminhos na cabeça...acabaram-se por fim eu sei... odeio saber isso. Aqueles momentos em que ficava a ouvir a tua respiração, que contigo ia adormecendo até mal se ouvir. Especiais, só assim defino esses momentos. Os momentos em que sonhavas comigo, em que te protegia de nada, em que me reconfortava a tua presença.
Vejo a garrafa afastar-de mim, aos poucos, depasiado depressa porque te adoro. Perco-a de vista. Sei que partes com ela, que não voltarás de novo para o meu colo. Só te queria a ti. Afasto-me agora do mar, ele encarregar-se-á de te levar para bem longe, para onde, sei, que também tu passarás por esta solidão e sofrerás com a saudade. Sei...espero que sim, que saiba. Caminho por instantes, e já não suporto a tua ausência, incomoda-me mais esta saudade, que me incomoda qualquer outra coisa. Não suporto a tua falta, coisinha que quero esquecer. Odeio a tua ausência, apetece-me saltar para o mar e abraçar de novo esse pedaço de papel com o teu nome para sempre. Abraçá-lo e guardá-lo para sempre junto de mim, como memória singela de tudo o que foste. grito uma última vez que te amo, sei que não ouvirás essas palavras, agora sem sentido. Ao menos tentei que as ouvisses. despeço-me desse mar, dessa garrafa, despeço-me de ti a chorar.Não te tornarei a ver, e só ficará uma coisa por dizer...preciso de ti, preciso mesmo. Afasto-me e entro no mundo ao qual já não pertences, no qual me sinto estranho sem ti,o mundo que tu fazias ter sentido, onde foste a melhor coisa que me aconteceu. Queria outra vez um minuto do que tivemos, um minuto eterno...bastava-me isso e era feliz. Porque agora sei, o que sinto por ti jamais sentirei por alguém...isso também nunca to disse.
Silêncio, lágrimas, solidão, tu...volta e não deixes que tudo acabe. Contigo, um passo para a felicidade, um passo para me perder de novo...Faz-me perder para sempre...contigo.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Por ti, para ti

Foges das minhas mãos como se fosses areia. Sinto-te partir por entre os meus dedos, deixando um vazio em mim que jamais pensei sentir, um vazio que nunca quis encontrar. Pareces fumo...unes-te ao ar que me rodeia, esvoaçando para onde não te consigo encontrar...para fora de mim. A tua presença, mera recordação. Deixo-me cair no chão que outrora palmilhámos juntos, lado a lado de mão dada. O chão que tatuamos com a nossas pegadas como prova de algo que pensei que não acabaria assim. Estranho este chão sem ti. Parece frio...demasiado para quem estava habituada ao refugio do teu olhar, onde me perdia horas a frio, nas tuas palavras, sorriso, beijo...em ti. Tremo de frio e abraço o chão na esperança de nele te encontrar a ti. Talvez te tenhas afastado nos poucos instantes em que fechei os olhos, julgando que isso não terminaria o sonho do qual eras a única protagonista, talvez nunca tenhas existido sequer, talvez nunca tenhas passado disso mesmo, de um sonho.
Pensamento estúpido, és demasiado especial, única...e agora partiste. Aninho-me no chão que um dia te ofereci com lágrimas banhando-me os olhos...nelas vão todas as memórias que agora quero, mas não consigo esquecer.As tuas memórias. Choro até adormecer, e acordo com a sensação de que chorei enquanto dormia. Levanto-me desesperado, e chamo por ti...grito o teu nome, enquanto me deixo invadir de loucura, de desespero...sei que era louco por ti, agora a tua ausência faz-me desesperar. Grito com todas as minhas forças, grito apenas uma palavra, o teu nome...inúmeras vezes, exponenciando o teu nome ao limiar da loucura... Vejo os céus rirem-se de mim, vejo-os levarem a palavra que gritei para bem longe. E nada, não te ouço responder. Deixo-me cair abatido no chão, soluçando, dizendo que te amo, que preciso de ti...mas não ouviste os meus gritos, jamais me ouvirás murmurar. Perco a noção do tempo e dexio-me ficar deitado a olhar o céu, a contemplar a estrela que um dia te ofereci: "aquela" disse naquele dia, "aquela pequenina e insignificante" onde estarás tu? Perco-me nessa questão milhares de vezes sem dar conta de o tempo passar. Levanto-me por fim, e caminho sem direcção e sem destino, sem querer pertencer a algo, a alguém...tu gostavas de andar, e eu amava andar contigo, mas isso nunca te disse. Relembro agora tudo o que nunca te disse, e vejo que serão "as palavras que nunca te direi" e tinha tanta coisa para te dizer agora. Agora que te amo mais do que nunca. Agarro pedaço de pau e com ele escrevo neste chão que um dia foi nosso e agora é meu.
Obrigado

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Concha de mão


Sccchhhhhhhh. Não digas nada. Deixa que seja meu este momento...só meu. Para com essas perguntas, pára de transformar tudo em mais e mais questões, quando sabes que não te posso responder, que não sei o que dizer. Odeio perguntas, odeio que me tires o pouco controlo que tenho na minha vida. Deixa que seja meu este momento. Só hoje.
Fecho os olhos. Junto as minhas mãos como se concha fossem....assim,acabada de sair do mar, apanhada em areia ainda húmida pelo doce beijar do mar. E ponho-a no ouvido. A concha que fiz com as minhas mãos, encosto-a a mim, assim como eu me encostava ao teu peito, para ouvir bater o teu coração. Adorava isso. Na concha ouço o mar, algo distorcido, forma ténue da realidade, mas ouço-o. Acalma-me....não sei porquê, mas acalma-me o tempestuoso som do mar, aquele rúgido...como tu me acalmavas...a tua voz... o teu colo...tu, o meu mar. Sinto-me calmo com a concha no ouvido, viagem ao passado, até ti, até ao teu corpo, tuas palavras, até à felicidade que tive, sei que tive. Sinto-me agora em paz, adormecido para a realidade que me rodeia, sinto-me eu e o mundo, só mundo. E aí está o problema, eu e o mundo mais nada. E tu? Onde te escondes? Não te vejo, não te sinto a não ser em meros instantes em que me julgo a sonhar, instantes que acabam quando me aproximo de ti, quando estou prestes a deitar a minha cabeça em ti, quando por pouco me ofereces de novo o teu colo, onde me aninhava como se fosse a criança mimada que sabes que sou, que eu sei que sou. O sonho acaba assim que me aproximo de ti, depois, tristeza.
E refugio-me de novo na concha que crio, pequenino mundo que imagino, onde por momentos te encontro, mesmo sabendo que não estás, que nunca estarás.
Gostava de te ver assim pequenina...pequenina ao ponto de caberes na palma da minha mão, na minha concha, para te encostar ao meu ouvido, para te ouvir respirar, para sentir esse jeitinho mimado, o bater do teu coração...para que pudesses entrar no meu mundo uma última vez, só uma...para que enfim...pudéssemos caminhar em direcção ao mar que julgo ouvir, de mãos dadas...caminhada só vista pelas pegadas que vamos deixando na areia...apenas as minhas...porque tu caminhas nos meus braços que te amarram suavemente a mim decididos a não deixar que partas novamente....jamais. Nó de amor. Depois iria parar a caminhada junto ao mar, deixaria que te tocassem, cada grão minusculo da areia que pisei....suavemente,por ti. Deixaria que o mar, te tocasse timidamente, te beijasse como, outrora, também o fiz. Banhados pelo sol, que lentamente mergulhava no mar que nos ia engolindo aos poucos. Perguntas-me se fico contigo, não respondo. Beijo-te apenas. Era essa a resposta que querias. E afundamo-nos no mar, de mãos dadas a olhar um para o outro, à espera do fim que nos unirá para a eternidade no meu pequenino mundo. Olhos nos olhos, digo que te amo com o olhar, sorris. Tudo o que eu queria, o teu sorriso, tu de mãos dadas comigo. Por fim somos um, apenas um. E num momento que era meu, fizemos o nosso, por nós e para nós. Para sempre.
Porque não cabes na palma da minha mão?
Queria-te na minha concha...
No meu mundo...
Comigo...
DEVANEIOS...MEROS DEVANEIOS...

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Permaneço imóvel à frente do teclado do computador... horas... minutos... rendendo-me aos caprichos de um relógio que não deixa parar o tempo, que se entrega ao seu constante egoismo em controlar tudo. Escrevo,apago, torno a escrever e mais uma vez apago. Não encontro as palavras que quero, talvez não existam, talvez não passem de murmúrios que ouvi em sonhos, que ouvi quando julgava sonhar, não sei. Toco as teclas suavemente, do mesmo modo que te tocava a ti, do mesmo modo que percorria as estranhas coordenadas do teu corpo, em que cada toque correspondia a um suspiro de prazer, destinados ao mistério de momentos e mais momentos que exigiamos nossos, só nossos. Neste teclado me perco, me entrego como refúgio dos meus sentimentos, dos meus medos e desejos mais escondidos. Entrego-me, porque aqui não tenho medo. Aqui não tenho medo de me sentir só, não tenho medo de pensar que não existe mais ninguém no mundo. Deixo de ter medo à noite, quando me entrego à completa escuridão apenas disfarçada pela singela presença do computador, que teimo em deixar ligado, para lembrar a tua presença, a mesma que deixoude existir.
Vou escrevendo, sei que escrevo para quem não quer saber ler, são palavras gritadas ao vento num dia de tempestade, palavras que ninguém quer ouvir, palavras que ninguém entende. Ao menos grito-as. E bem lá no fundo, sei que um dia elas chegarão até ti, em embrulhadas em garrafa de vidro, lançada ao mar, neste onde te vi afogar, nas profundezas de um abismo que eu própri criei...esquecimento,ou puro fingimento...
DESLIGO O COMPUTADOR

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Fumos

Fumava lentamente um cigarro.O fumo deste juntava-se aos muitos cigarros caidos a meus pés,onde se refugiavam num mundo de fantasia, onde também tu te refugiaste, de onde te arranquei, como se fosses coisa de arrancar. De onde julgava querer que saisses...parece que me enganei. Hoje fecho os olhos e vejo que não, não te queria perder. Na verdade, fazes-me falta...tu, o que quer que sejas, bichinho de incompreensão, livro em branco, não sei, não sei mesmo o que és, o que foste. Talvez sejas apenas mais um cigarro caido a meus meus pés, cigarro que foi fumo por mim inspirado, que saboreei e guardei em mim até não aguentar mais...Só sei que foste fumo que me consumiu, que me envolveu...cigarro que acabou caido a meus pés, como memória singela de tudo o que foste, de tudo o que me fizeste ser. És o fumo agora desaparecido, o fumo que eu soprei por medo, por saber que a tua presença era demasiado perigosa para mim, que me fazia tremer de recordações, de memórias...algo que eu pensava que não queria viver e muito menos sentir. Hoje não penso assim, na verdade,acho que nem penso, não sei o que pensar,acabei por viver num mar de confusões, de memórias torcidas de felicidade que julgo não passarem de miragens, que não me trazem senão tempestades de pensamentos onde me afogo sem nada conseguir fazer. Logo eu que não sei nadar. Não sei o que fiz,apenas sei o que perdi...para sempre.Um sempre que não é relativo, um sempre dotado de eternidade.Um sempre para sempre.
Condenei-me,portanto, a fumar cigarros, um após outro, na esperança que num te encontre,de novo a ti, pa me encher desse fumo, decidido a não tornar a respirar outra coisa, a não deixar sair nem um bocadinho de ti, de mim.
Acabo a olhar-me ao espelho, e nele não encontro o meu reflexo,eras tu que me reflectias me fazia ver que não estava sozinho.Que havia alguém que sem o mostrar me protegia sem eu o pedir.
Hoje sei que sou cigarro, consumido, por consumir e de ti não deixei sequer fumo para te dizer uma última coisa...........................................................................................................
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.............................................................................................................................................................................................desculpa.....................

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Doia-te por dentro nesse dia,a tua alma era o reflexo de um céu demasiado apagado de estrelas, de um céu escondido num jeito timido que teimavas em usar como máscara. Tantas vezes te disse, não tenhas medo desse precipicio...nele a queda, não te magoa,pelo contrário, não tenhas medo, salta nele....salta apenas. Mas refugiavas-te nesse medo que passavas a usar como uma droga como outrora também tu foste para mim, como risco traçado à luz de nota enrolada por mim,por ti....por quem quer que fosse. A droga que me levava a cair num abismo dentro da minha própia alma, numa queda desenfreada contra um tempo que parava com o teu toque, um tempo que ainda assim passava demasiado depressa quando deveria andar parado, pelo menos controlado. Um tempo onde me perdia enquanto me ria que nem louco desse teu medo que jamais iria entender, afinal quem se deixava consumir era eu, não tinha que ter medo.
É a última imagem que tenho de ti, a despedida, a última vez que te vi sorrir. Aí vi, era a mim que me doia...sabia que não te ia tornar a ver. Era eu que tinha medo, eu que temia deixar-me cair no precipicio diante de nós, esse que saltaste sem hesitar. E eu fiquei. A ver-te cair,ouvindo-te sorrir, lendo nos teus lábios o meu nome. Chamavas-me. E ainda assim não cai. Quem teve medo fui,só eu.
.................................só...................eu........

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Eu,estrela.


Lembra-te,nunca te esqueças...eu sou aquela estrela pequena que mal se vê...aquela insignificante que brilha timidamente por entre o brilho ofuscante das restantes...mas sou aquela que jamais deixará de brihar para ti.Porque serei sempre aquela insignificante que brilhará para ti,que te vai proteger sempre do alto do meu pequeno mundo,e acredita estarei sempre lá.E quando precisares de mim chegarei até como brisa intocável,serei aquele arrepio suave que traz frio ao teu corpo,que te trará proteccção.
Não te preocupes,para ti,por ti estou aqui,não te abandono.


Serei sempre aquela tua estrela pequenina...a mais simples todas....mas são as coisas simples que mais interessam e tu sabes disso...

Lembras-te?

Dou por mim a lembrar o passado como se de um sonho se tratasse...um sonho daqueles que se sonham sem sequer fechar os olhos...daqueles que nos lembram tudo o que poderiamos ter sido no passado,tudo o que ficou por fazer....todas aquelas palavras que se revelaram
barreiras impossiveis de ultrapassar...as mesmas que ficaram por dizer.Essas permaneceram demasiado timidas em mim,caladas com medo de se assustarem perante reacções que eu próprio jamais entenderia.
Gostava de um dia poder controlar o mundo,o meu o vosso,o teu...o destino de todos.Fazer nascer cão de galinha,que maçãs fossem camelos,que tu te mostrasses em nuvens como aquelas em que vejo tudo aquilo que me apetece,como aquelas em que liberto a minha imaginação e nela me permito dar as asas que sempre desejei e por fim...voar.
Voar como só tu me conseguiste ensinar,deixar que o vento me toque como tu me soubeste tocar...suavemente.Perco-me sonhando nesse voo...por meros instantes agarro de novo tudo o que deixei fugir,tudo o que perdi...e no entanto a sensação é exactamente a mesma...o vento a tocar-me a face,a paz,que desconheço sem ser contigo, que me envolve...sinto tudo,mas no entanto nada é real,sei que não é.E tudo porque não sei como controlar o mundo.
Sento-me e imagino-te aqui a meu lado,prestando-te a apagar de mim tudo aquilo que quero e que não consigo esquecer...e eu nem preciso de te pedir isso.Tu sabes exactamente o que eu preciso,basta que te olhe.Lanças-me um olhar furtivo e ris-te na minha cara.Serei eu tolo por sonhar assim?Pelo menos é o que penso ser a tua opinião.Calas-me os pensamentos com um beijo e esvaneces como se esvanece o cigarro que tenho na mão...apagado,não sei desde quando.
Parece que se passou uma eternidade desde que me pus a sonhar e resolvo acordar...olho-me ao espelho e atrás de mim estás tu,a sorrir de malandra,como sorri quem foge a brincar.

Agarras-me e perguntas-me se me lembro de nós...........................................................................................................
.............................................não esqueço o que amo

Se acordasse...agora...

Acordo subitamente! Nada me rodeia,mas tudo me parece mais e mais assustador,tudo aquilo que vejo e sobretudo tudo o que teimo em não querer ver me parece assustadoramente real,como forma dos meus mais escondidos medos! Quero fechar os olhos, sair daqui, o que quer que seja aqui....mas não sei sair,não sei sequer onde estou. Assusta-me não saber controlar tudo a minha volta, assusta-me olhar para trás e ver que sou controlado por algo que não posso atingir,algo que não sei como entender.Levanto-me por fim.Caminho por pegadas que me parecem muito familiares,à minha volta um cheiro doce,que me envolve suavemente,que me acompanha enquanto ando passo após passo como deveria ter sempre feito...Mas não,era mais fácil caminhar escondendo passos que não queria dar,passos que julgava inúteis,passos a que não dei importância e que acabaram a rir-se de mim,da minha ingenuidade, da minha (talvez) estúpida maneira de querer ver as coisas,de querer viver.
Resta-me agora caminhar envolto neste cheiro que mais parece penumbra ameaçadora e no entanto é-me tão familiar, ao ponto de ficar a instantes de me lembrar o que é.
Talvez tivesse sido feliz acordado, se me lembrasse do que era este cheiro suave,quase ématernal,quase protector...talvez se não tivesse,mais uma vez,fechado os olhos a isto também.
Talvez....ecoa esta palavra,repetida vezes sem coonta...enlouqueço...não a quero ouvir magoa-me de uma maneira estranha....ja não posso voltar atrás...acordei.Acordei para algo que não conheço...mas não quero mais isto.


quero-te a ti,já sei que raio de cheiro era este....era o teu cheiro
não me importo de acordar...
desde que estejas lá...
para mim...
e que por fim...
não existam mais talvez...
que estejas apenas...
comigo...
é só isso que preciso...
tu......................................................................................................................................................................

Faz o que te peço...deita-te.

Deita-te.
Deixa-te embalar por essa brisa,
que te transborda,
que te invade,
como invade o mar uma baia.
Uma baia de sonhos,
de desconhecido,
de pensamentos intermináveis,
iluminados por um pôr-do-sol fantasma,
em que ambos acreditamos,
sem saber sequer se existe.
Porque contigo,
é tudo uma estranha forma de amar,
de sentir as coisas,
de ver o que está para além do possivel.
De fazer o impossivel regredir,
até um simples olhar.
Porque a vida é um segundo.
É um segundo,
infinito se assim a quisermos.
E eu quero.
Quero ser o tempo que não pára,
mas que também não acaba.
Quero ser o teu tempo,
o teu infinito,
quero tocar-te,
ver-te,
sentir-te.
Tudo,sem que sonhes sequer com isso.
Quero que te espelhes em mim,
que atravesses o meu corpo,
pairando numa espécie de transe,
inatingivel aos demais,
normal para nós,
que nos tornámos num vicio comum,
repleto de prazer,
sedento de mais, muito mais.
Nada tem que acabar,
porquê acabar,
o que não queremos que comece.
E nós não queremos o começo do fim.
Queremos o inicio,o antes,
queremos o durante.
Queremos que tudo isso dure,
sem palavras,
em emoções,em sorrisos.
Que também isso,
seja o infinito num momento,
a imprevisibilidade da eternidade,
que seja algo de inexplicável,
profundo como só o teu respirar consegue ser.
Acamado,
em promessas desmentidas,
em actos ou omissões,
que não se querem,
que se desejam.
E eu não te quero.
Desejo-te.
Desejo-te num mundo só meu,
onde te possa por fim encontrar,
dizer-te o que sinto.
Onde te possa embalar no meu colo,
enquanto permito que te toquem as nuvens,
como eu te toco,
do mesmo modo,
que tentem,
não conseguirão,
porque eu e tu, um só.
Quero ser tudo o que ainda não sou,
o que ainda não fui com ninguém.
Quero ser uma gota de água,
a que te molha suavemente,
que te toca os seios,
que desliza na tua barriga,
atraida por um doce caminho,
atraida por algo de muito sincero,
de muito especial.
Algo que não se pode explicar,
algo que se sente apenas.
Quero ser a gota,
que em ti transborda como se oceano fosse,
no qual te deixas afogar,
sem medo,
de não respirar.
Porque sabes que não te abandonarei,
porque serei os teus (j)olhos,as tuas mãos.
Por fim serei tu,
seremos um só,
unidos,entrelaçados,
enfeitiçados por doce melodias,
cantadas em linguas que não existem,
em linguas que só nós entendemos,
linguas que falamos sem sons,
sem voz.
Porque não precisamos nada disso,
por que nos temos a nós,
porque temos este jeitinho especial um com o outro,
algo de único,
de muito simples,
que torna possivel a súbita perfeição....
....NÓS..............................................
porque quando tudo isto acontecer,
nós seremos a estrela mais pequena,
a mais simples,
aquela que é insignificante,
mas seremos a mais brilhante,
a verdadeiramente especial.....
Eu e tu.....UM....
Pelo menos fomos...